PRÉDIOS DE SÃO PAULO
Carta ao Cinderela
Por Alexandre Resina

Sobre meu caso de amor com o Cinderela e sobre o ainda subestimado poder da mente

Nos idos do ano 2000, no auge da minha crise dos 30 anos (seria o Retorno de Saturno que o Renato Russo já havia cantado a bola?) pelo término de um relacionamento que durara cinco anos (no qual fui muito feliz, por sinal) e por uma crise financeira "daquelas", me mudei para um pequeno apartamento alugado na Rua Dona Antônia de Queirós, endereço bem próximo do objeto do meu futuro amor... Só a partir daí pude entender a cantora Ana Carolina: "Eu só quero saber em qual rua minha vida vai encostar na tua". Naquela época, eu estava emocional e financeiramente aos cacos (por favor, não chorem ainda... há um final feliz). Eu estava, digamos, no terceiro subsolo de dívidas mesmo! Não era pouca coisa! O pouco que me restava era cuidar do corpo, a alma se reconstituiria lentamente. Matriculei-me numa academia na Rua Aureliano Coutinho, que subindo rumo ao Cinderela passa a se chamar Rua Sabará. Era um alento, ou mais que isso... era um bálsamo pra minh'alma poder flertar com aquele prédio de ares românticos, encantador em suas formas, cores e elegantes detalhes, na ida e na volta da academia ao longo daquele ano. De alguma maneira, o "belo" atua de forma positiva em nossas vidas… Havia um desejo longínquo de poder conhecer o prédio. Nem ousaria pensar em habitá-lo, ao menos no nível consciente, pois no inconsciente eu já havia mandado esta mensagem pro Universo, como no livro "O Segredo"! Que riam desde já os incrédulos, não vou "xatiar" (risos). No ano seguinte, mudei-me de bairro e região, e achei melhor para meu pobre coração esquecer aquele amor tão improvável quanto o de Romeu e Julieta...
Pelas voltas que a vida dá, pude em 2007 passar em frente ao Cinderela, já me sentindo reerguido e mais seguro em propor um namoro sério, e tive as portas do castelo prontamente abertas pelo Severino, seu guardião-zelador (impossível não citá-lo... além de estar há eras trabalhando no prédio, foi ele o cupido!). Mas não pensem que foi fácil conseguir este relacionamento, não... a "mãe" do apartamento, Dona Elza, uma senhora igualmente linda e ciumenta, demorou alguns meses para me conceder a mão!
Desde o flerte bem de pertinho até a aceitação da proposta de casamento, já se vão oito felizes anos! Passada a crise dos sete anos, tudo indica que faremos as Bodas de Prata – e quiçá as de Ouro!

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